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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Portal G1: Mercado imobiliário em queda também na região nordeste

Há um ano, ele decidiu vender o imóvel, mas ainda não recebeu nenhuma proposta. “Tivemos apenas uma visita. A gente imaginava que fosse ter mais visitas para ver o apartamento, mas até agora nada”, disse. Além de Arquimedes, outros dois vizinhos da família estão na mesma tentativa

O mercado imobiliário de João Pessoa está começando a ser afetado pela crise econômica que atingiu o país. Em uma corretora da cidade, a média de imóveis vendidos caiu de oito no primeiro semestre de 2014 para três neste ano. “O mercado paraibano está um pouco retraído. E não foge ao que está acontecendo atualmente no nosso país. Eu acho que a confiança, que se diminuiu muito no Governo, criou uma certa insegurança. Por isso que muitos investidores e muitas pessoas decidiram esperar um pouco para depois adquirir sua casa própria”, declarou o corretor de imóveis Alexandre Miranda.

O professor Arquimedes Pereira é um dos consumidores que estão sofrendo com essa retração do mercado. Com a chegada de uma filha e planos de aumentar a família, o apartamento de 80m² que ele mora ficou pequeno. Há um ano, ele decidiu vender o imóvel, mas ainda não recebeu nenhuma proposta. “Tivemos apenas uma visita. A gente imaginava que fosse ter mais visitas para ver o apartamento, mas até agora nada”, disse. Além de Arquimedes, outros dois vizinhos da família estão na mesma tentativa.

O setor da construção civil também está desacelerado e os projetos de novos prédios estão sendo adiados. “As principais mudanças foram no comportamento do consumidor. A gente sabe que deu uma diminuída no volume de vendas, então nós prorrogamos para 2016 alguns lançamentos que nós tinhamos para 2015, com uma possível melhora no mercado”, explicou o gerente comercial de uma construtora de João Pessoa, Fabrício Marsicano.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Jarbas Pessoa, reconhece que houve queda nas vendas, mas garante que também houve ganho para quem trabalha no setor. Ele destaca que houve uma diminuição de janeiro a março de 2014 para o mesmo período de 2015, mas os números ainda indicam que seja favorável investir em imóveis. 

Para o conselheiro do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), Irenaldo Quintans, a baixa no setor não foi muito grande. 

Porém, ele reconhece que o mercado está sendo influenciado e enumera dois fatores que causam essa desaceleração. “O baixo crescimento do país, a baixa geração de renda e sálario e a insegurança que isso gera no consumidor têm afetado o mercado. Outro aspecto é a tendência de equilíbrio entre oferta e demanda. Nós passamos cinco anos produzindo muito e a equação oferta/demanda está bem mais próxima do equilíbrio. E isso faz com que haja um arrefecimento na velocidade de vendas”, explicou.

(Portal G1 - Notícia - 16/04/2015)
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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Jornal Nacional destaca crise no mercado de aluguéis e queda nos preços

Na contramão da inflação, de um ano para cá, o preço médio dos aluguéis caiu, em algumas das maiores cidades. E mesmo assim, tem muita plaquinha de “aluga” por aí

Piso de madeira, suítes espaçosas, com cama, armário embutido e banheira chique daquelas com hidromassagem. Assim, o apartamento de cozinha com dois ambientes e 127 metros quadrados segue juntando poeira.

"Esse apartamento está vago há aproximadamente um ano e meio", conta Marcos Camargo, corretor de imóveis.

Nem com desconto
De seis meses para cá, o valor do aluguel baixou R$ 400. Nem assim adiantou. E na imobiliária que está oferecendo esse apartamento tem vários outros nessa mesma situação. Ao todo eles têm mais de 500 imóveis para alugar só na Zona Leste de São Paulo.

“A gente acaba conseguindo uma melhor negociação para que os imóveis não fiquem parados. Não é interessante para o proprietário ter o seu imóvel parado”, afirma o gerente de locação André Reindl.

Queda de mais de 13% no preço médio
A equipe do Jornal Nacional perdeu as contas de quantas placas de 'aluga' foram encontradas em uma região. A rua é cheia de comércio, mas não tem jeito: não tem tanto interessado em fechar negócio. E as plaquinhas continuam se espalhando cada vez mais por aí.

Tudo porque o mercado de aluguéis está mesmo morno. E com menos gente disposta a pagar, os preços vão lá para baixo. Uma pesquisa feita em nove cidades brasileiras mostra que o valor médio do aluguel, nos últimos 12 meses, caiu 6,11%, já descontada a inflação.

Em Curitiba, o preço do aluguel caiu mais de 13%. Também está mais barato alugar em Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Salvador. Ruim para o proprietário, excelente para o inquilino.

“Acho que a gente passou vários anos com crescimento muito acelerado de preços, tanto de alugueis quanto de imóveis. Acho natural, e até saudável, termos esse ajuste. E claro que ele está influenciado pelo desempenho fraco da economia como um todo”, explica a economista da Fipe Raone Costa.
(Portal G1 - Jornal Nacional - Notícia - 16/04/2015)

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Correio Braziliense: Construção civil derruba PIB e puxa desemprego

Em meio a um ambiente recessivo, um dos principais motores da atividade econômica apresenta sinais claros de enfraquecimento: as demissões começaram e as projeções para 2015 são de forte queda

A construção civil costuma refletir o desempenho da economia de um país. Se as obras estão paradas, alguma coisa não vai bem no cenário nacional. Mas se os canteiros pulsam, há a certeza de um período de bonança. Não à toa, o setor vive atualmente um momento delicado no Brasil. Em meio a um ambiente recessivo, um dos principais motores da atividade econômica apresenta sinais claros de enfraquecimento: as demissões começaram e as projeções para 2015 são de forte queda. 

Especialistas acreditam que o período promissor da construção civil, observado principalmente entre 2007 e 2010, chegou mesmo ao fim. Nas obras de infraestrutura, no mercado imobiliário e no varejo, a estagnação da economia derrubou a demanda e interrompeu de vez o ritmo acelerado de contratações e investimentos. 

Desde abril de 2014, o número de vagas vem caindo, constata o presidente da Câmara Brasileira da Construção Civil (Cbic), José Carlos Martins. Somente nos últimos cinco meses, foram fechados 250 mil postos de trabalho, número significativo para um setor que emprega cerca de 13 milhões de pessoas em toda a cadeia produtiva. Em 2014, setor encolheu 2,6%. Este ano, a queda estimada será de 5%. “A situação vai piorar. Não estão previstas contratações para os próximos meses.” 

A tendência é de que a construção civil siga degringolando se a economia não mudar de rumo. Na avaliação de Martins, os investimentos devem cair, especialmente por conta da operação Lava-Jato, da Polícia Federal - o investigado esquema de corrupção na Petrobras - que atingiu as maiores empreiteiras do país. “O empresário investe se o país voltar a crescer. Se o setor público não fizer a parte dele, as empresas também não farão”, afirma. 

(Correio Braziliense - Notícia - Economia - 12/04/2105)

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terça-feira, 14 de abril de 2015

Portal R7: Com imóveis encalhados, construtoras apelam às redes sociais

No início deste ano, o estudante de administração Guilherme Henrique Lele, de 20 anos, fechou a compra de um apartamento sem dar sinal e sem assinar um documento sequer: ele usou apenas a ponta dos dedos. Guilherme fez toda a negociação do imóvel pelo WhatsApp e só visitou o apê na hora de assinar os papéis.

O rapaz é mais um cliente seduzido pelas mais novas estratégias das contrutoras para fisgar clientes: o uso das redes sociais, ferramentas que ajudam a driblar a desaceleração do mercado imobiliário. Só em São Paulo, segundo o Secovi (sindicato da construção), em fevereiro, havia 26.756 unidades em estoque. Trata-se de imóveis encalhados.

Até veículo usado
As táticas das construtoras, porém, não se limitam ao uso das redes sociais. Para conquistar clientes e fechar negócio, as construtoras passaram a aceitar veículos usados de entrada e oferecer um serviço de acompanhamento da obra, online em tempo real via internet, com imagens gravadas por drones.

"Pequena" crise do setor imobiliário
Segundo Marcelo Bigucci, diretor de Marketing e Locação da MBgiucci, o uso das redes sociais já refletiu em uma alta nas vendas da empresa. Ele explica que as ferramentas servem ainda para substituir outros meios de comunicação.

- As redes sociais são uma mídia barata, com um custo bem menor do que o de qualquer outro tipo de mídia convencional. Então, devido a uma pequena crise do setor imobiliário, as construtoras passaram a atacar em redes sociais e a gente seguiu essa tendência.
 (Portal R7 - Economia - 14/05/2015)

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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Estouro da bolha: Caixa esgotou recursos para o crédito imobiliário

Dados do BC mostram que o descompasso atinge o mercado de forma geral, e até aumentou nos primeiros meses deste ano

A Caixa Econômica Federal não tem mais recursos da poupança para emprestar ao crédito imobiliário. A aceleração do ritmo de desembolsos dos empréstimos concedidos pela instituição federal nos últimos anos, combinada à fuga dos investidores das cadernetas, levou a esse descompasso.

"A caderneta só tem mais um ano, no máximo, de fôlego para financiar o crédito imobiliário. Isso considerando o sistema como um todo. Na Caixa, esses recursos já se esgotaram", disse ao Brasil Econômico Octavio de Lazari Júnior, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em entrevista após evento promovido pelo Bradesco.

O problema pode ser mais sério na Caixa, mas não é só dela. Dados do BC mostram que o descompasso entre o ritmo de captação da poupança e a liberação de novos empréstimos imobiliários se acentuou nos primeiros meses deste ano. Até março, a poupança havia perdido mais de R$ 18 bilhões. O saldo, assim, passou a R$ 512 bilhões. O aumento em 12meses foi de apenas 5,6%.

Captação ainda mais negativa 
Em termos de fluxo, a diferença também é grande: enquanto as concessões de crédito imobiliário passaram de R$ 9,2 bilhões ao mês para R$ 12,6 bilhões (alta de 37%) em 12 meses, a captação líquida da poupança passou de R$ 735 milhões negativos para R$ 9,2 bilhões negativos. Ou seja, além de não crescer, a captação ficou ainda mais negativa.

Em janeiro, a Caixa havia aumentado os juros dos financiamentos com recursos da poupança para inibir a demanda e retardar o esgotamento do funding. A alta foi maior no segmento de imóveis mais caros, onde não há limites impostos pelo BC. Além disso, há os financiamentos com outros recursos, desde FGTS, para programas sociais, até fundings alternativos - esses, livres das regras do BC.

Procurada, a Caixa não concedeu entrevista mas, por meio de nota, respondeu que sua prioridade no segmento habitacional é o financiamento de habitação popular, custeado em sua maior parte pelo FGTS. No final do ano - último dado disponível - a Caixa tinha R$ 236,8 bilhões na poupança e R$ 339,8 bilhões e, crédito imobiliário; o crescimento, no primeiro caso, foi de 13% e no segundo, de 25,7% - quase o dobro. Em termos de participação no mercado, a Caixa lidera em ambos: tinha, em dezembro, 67,7% do saldo dos financiamentos a imóveis no país (que incluem programas sociais como o Minha Casa Minha Vida) e 35,7% do saldo da poupança. A captação líquida da poupança na Caixa foi de R$ 12,7 bilhões em 2014. E as novas concessões de crédito imobiliário foram de R$ 128 bilhões. Para completar o descompasso, a Caixa ampliou o ritmo de captações das LCI: o saldo aumentou 69% em 2014, totalizando R$ 87,3 bilhões.

A Caixa não divulgou números relativos aos primeiros três meses do ano, nem explicou quanto dos financiamentos concedidos foram com recursos do FGTS e quanto com recursos de poupança - mas disse que continua usando a poupança.

E acrescentou, também em nota: "No caso da habitação que utiliza recursos da poupança, a prioridade da Caixa tem sido o financiamento de imóveis novos, enquadráveis no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) - ou seja, com valor de até R$ 750 mil (em Brasília, SP, MG e RJ) e de até R$ 650 mil nos demais Estados", diz a instituição. 

(Brasil Econômico - Finanças - 10/04/2015)

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sexta-feira, 10 de abril de 2015

DCI: Queda nas vendas, descontos e até carro usado como pagamento

Entre as ações está a negociação caso a caso sobre o pagamento, de acordo com as possibilidades do cliente."Até carro usado está sendo aceito como parte do pagamento. Isso para imóveis prontos"

Foi-se o tempo em que o vendedor do imóvel tinha a faca e o queijo na mão. Agora, com a economia mais fraca e o mercado imobiliário apresentando quedas consecutivas em volume de negócios, empresas apostam em descontos, maior atenção ao cliente e saldões para fisgar o consumidor e diminuir os estoques nas principais capitais do País.

A tática de vender imóveis com descontos, apontada pelo executivo como chave para diminuir o impacto da economia ruim, tem sido adotada por grandes e pequenas construtoras. Entre as companhias menores, Sollar destaca a Madri, que recentemente lançou duas torres no bairro Botafogo, na capital fluminense, e além dos descontos oferecia gratuitamente diversas opções de acabamento ao imóvel.

"Para evitar ficar com estoque, o dono da empresa ofereceu descontos de até R$ 30 mil para a venda no lançamento, além de anunciar que portas e acabamento do imóvel poderiam ser escolhidos pelo cliente", diz.

Descontos de 40% e carro usado como parte do pagamento
A estratégia adotada pela MBigucci para elevar as vendas este ano está apoiada na divulgação de imóveis por aplicativos e redes sociais (como WhatsApp, Facebook e Instagram), além da adequação das condições de pagamento. Na visão do diretor de vendas da MBigucci, Robson Toneto, o mau momento pode virar oportunidade se houver flexibilização por parte da construtora. Entre as ações está a negociação caso a caso sobre o pagamento, de acordo com as possibilidades do cliente. "Até carro usado está sendo aceito como parte do pagamento. Isso para imóveis prontos", disse.

As ações da MBigucci seguem em linha com as das maiores companhias do mercado. Exemplo disso é o caso da Lopes, que fez recentemente uma campanha para oferecer até 32% de desconto em imóveis de 17 construtoras. Simultaneamente, a PDG Realty anunciou a nova ação nacional de descontos em menos de um ano: baixa de preço de até R$ 500 mil.

Este ano, a Tecnisa também apostou em ações promocionais, com chamadas que envolviam um "megabônus".

Outra opção adotada pelas grandes empresas do setor é a divulgação dos imóveis no outlet de imóveis RealtON. De acordo com o presidente do portal, Rogério Santos, que atua no setor imobiliário há 27 anos, o comprador está "com a faca e o queijo na mão", e é hora de apostar no estoque. "Este mês, teremos várias campanhas, que reunirão lotes de 10 a 15 produtos, de diferentes incorporadoras", disse ele, lembrando que o desconto pode chegar a 40%.

Mesmo com promoções, executivo prevê aumento dos estoques
Com a desaceleração do mercado, o executivo prevê aumento dos estoques, o que ampliará as opções de imóveis em venda com desconto. "Este ano, provavelmente teremos um maior número de unidades prontas. Este fato pode ajudar o consumidor a decidir e observar a qualidade de acabamento das construtoras", enfatiza Souza.

Queda de 46,3%
A decisão de diminuir estoques das empresas não é por acaso. Nesta semana, o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) apontou que a venda de imóveis novos na cidade de São Paulo caiu 25,4% em fevereiro, sobre um ano antes, somando 732 imóveis comercializados.

Em termos monetários, o Valor Global de Vendas (VGV) ficou 21% menor que o de fevereiro de 2014, considerando dados atualizados pelo Índice Nacional de Custos da Construção (INCC). 

Com exceção da Capital, as 38 cidades da Região Metropolitana de São Paulo tiveram retração de 46,3% sobre 2014.

(DCI - São Paulo/SP - Home - 09/04/2015)

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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Valor: Vendas de imóveis novos caem 25,4% em fevereiro

As vendas de imóveis residenciais novos caíram 25,4% em fevereiro na cidade de São Paulo em relação ao mesmo mês do ano passado, para 732 unidades, de acordo com o Secovi­SP, o Sindicato da Habitação. 

O Valor Geral de Vendas (VGV) dos imóveis comercializados caiu 21%, para R$ 408 milhões. 

Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) divulgados pelo Secovi­SP apontam que os lançamentos de imóveis caíram 7,2% em fevereiro na comparação com o segundo mês de 2014. Em nota, o Secovi­SP informou que espera melhora nos lançamentos e nas vendas em março.

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Portal IG: Especialista diz que imóveis perderão até 40% do valor

"Nos próximos cinco anos, pode não haver o repasse da inflação oficial para o valor do imóvel. Se ele vale R$ 100 mil hoje, há uma tendência dele valer R$ 100 mil nos próximos quatro anos. Ou seja, os imóveis perderão de 30% a 40% do valor. (...)"

É comum entre os brasileiros que a poupança e os imóveis sejam as primeiras opções que vêm a mente quando se pensa em investimentos. Bastante tradicionais na cultura dos investidores do País, eles não são investimentos recomendados para 2015, no entanto.

"Com uma Selic a quase 13%, qualquer investimento se torna mais atrativo que a poupança, mas os brasileiros não sabem disso e acabam perdendo recursos", afirma Reinaldo Domingos, presidente do instituto DSOP de Educação Financeira.

A exceção, segundo Reinaldo Domingos, ocorre com investimentos a curto prazo, de até seis meses. "A poupança é atrativa para investimentos de menos de um ano, já que, quando se investe em títulos públicos, o investidor tem de pagar o Imposto de Renda a 22%, além de IOF, o que inviabiliza a rentabilidade. Para investimentos a longo prazo, essa alíquiota diminui", explica.

Ciclo de queda no mercado imobiliário
Depois do aquecimento do mercado imobiliário nos últimos anos, o setor começa a dar sinais de desaceleração. Dados do Secovi-SP mostram que, em 2014, o número de lançamentos superou o número de vendas em 10 mil unidades. Ou seja: a oferta foi maior que a demanda.

Para Martins, isso significa que o investimento no setor não é a melhor opção neste momento. "Esse mercado tem ciclos, passa alguns anos estagnado e outros na alta. A alta já aconteceu e agora estamos vendo construtoras querendo vender os imóveis em estoque. Com o excesso de oferta, os imóveis deixam de ser um bom investimento", afirma.

Desvalorização de 30 a 40%
Segundo Domingos, haverá desvalorização no valor dos imóveis. "Nos próximos cinco anos, pode não haver o repasse da inflação oficial para o valor do imóvel. Se ele vale R$ 100 mil hoje, há uma tendência dele valer R$ 100 mil nos próximos quatro anos. Ou seja, os imóveis perderão de 30% a 40% do valor. Investir em imóveis agora só é bom para quem quer morar."

Quem pensa em investir pela renda do aluguel também pode pensar em outras opções. "A locação perde para as principais aplicações. O aluguel não tem boa rentabilidade e ainda tem os riscos de inadimplência e destruição do patrimônio", afirma Domingos.

"A maioria dos imóveis para aluguel estão desocupados e o proprietário precisa arcar com o prejuízo do condomínio e taxas manutenção. Passou a hora de investir em imóveis. Eles têm um ponto favorável que é o baixo risco, mas tem o ponto ruim que é a liquidez. É difícil liquidar um imóvel, ainda mais quando há excesso de oferta", concorda Martins.
 (Portal IG - Finanças - 06/04/2015)

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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Portal Terra: Imóveis têm queda real de preços pelo 5º mês seguido

O preço médio do metro quadrado dos imóveis anunciados em 20 cidades brasileiras ficou abaixo da inflação pelo quinto mês seguido, indicando queda real de preços, de acordo com o índice FipeZap Ampliado divulgado nesta quinta-feira. 

"Perdemos dinamismo na economia de forma rápida e muito acentuada. É natural que a demanda pelo mercado imobiliário continue caindo, com o aumento dos estoques e queda de preços", disse à Reuters o coordenador do índice, Eduardo Zylberstajn. Cidades 

Entre as cidades pesquisadas, o Rio de Janeiro mostrou estabilidade de preços na comparação mensal, ante alta de 0,31% em fevereiro sobre janeiro. "A estabilidade já chama atenção. Até pouco tempo atrás, o Rio era líder absoluto no aumento de preços", afirmou.  

(Portal Terra - Economia - 02/04/2015)

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Valor: Lucro líquido da maior imobiliária do País cai 98%

(...) a receita líquida teve retração de 39%, para R$ 308,56 milhões, e o lucro líquido foi reduzido em 98%, para R$ 3,61 milhões

A menor atividade operacional da imobiliária Lopes em 2014 se refletiu no desempenho financeiro da companhia. Num ano em que os lançamentos intermediados pela Lopes caíram 32%, para R$ 24,25 bilhões e que o Valor Geral de Vendas (VGV) intermediado encolheu 30%, para R$ 13,83 bilhões, a receita líquida teve retração de 39%, para R$ 308,56 milhões, e o lucro líquido foi reduzido em 98%, para R$ 3,61 milhões. 

A geração de caixa medida pelo Ebitda da Lopes caiu 80%, para R$ 44,596 milhões. A margem Ebitda da companhia apresentou queda dos 44,1% de 2013 para 14,5% no ano passado. 

A Copa e as eleições: os eternos culpados
Do VGV intermediado de R$ 13,83 bilhões em 2014, R$ 10,5 bilhões se referem ao mercado primário, ou seja, de imóveis novos, e o restante, ao secundário, de unidades prontas. A queda conjunta de 30% na intermediação resultou da menor confiança do consumidor e foi influenciada pela Copa do Mundo e pelo período eleitoral, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Lopes, Marcello Leone. 

Cortes em 2014 e 2015 sem metas
A Lopes não tem metas de lançamentos e vendas. Em relação ao mercado, Leone afirmou que o volume lançado em 2015 deve ser inferior ao do ano passado. "O ano de 2015 também é desafiador, devido aos ajustes fiscais. A diferença é que a empresa se preparou para enfrentar este ano pela redução de despesas", conta. Em 2014, a Lopes fez cortes de pessoal, diminuiu o número de lojas e revisou processos utilizados. O total de custos e despesas, que era de R$ 283 milhões em 2013, caiu para R$ 264 milhões no ano passado. A previsão é que, com os ajustes já realizados, custos e despesas somem R$ 220 milhões neste ano. 

(Valor Online - Empresas - 31/03/2015)

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terça-feira, 31 de março de 2015

Folha: Construtoras dão descontos de 50% e pagam até aluguel

Se, há dois anos, as promoções eram apenas na escritura, atualmente os descontos chegam a 50% ou na garantia de 18 meses de aluguel

Se a economia passa por um momento de dúvidas, a desaceleração na venda de imóveis novos já é uma realidade em São Paulo. Por isso, construtoras e incorporadoras adotam uma velha máxima do comércio para "derreter" os estoques: oferecer descontos e condições especiais. 

Se, há dois anos, as promoções eram apenas na escritura, atualmente os descontos chegam a 50% ou na garantia de 18 meses de aluguel. 

De acordo com analistas, as empresas buscam dar um ânimo ao mercado e se livrar de possíveis custos com impostos e manutenção de unidades vazias. 

Apenas a cidade de São Paulo tinha em janeiro 26.994 unidades em estoque, 43% mais que no mesmo mês de 2014, segundo o Secovi­SP. 

"Quem tiver dinheiro na mão deve fazer uma proposta indecente às construtoras, com 30%, 35% de desconto, já que elas têm gordura para queimar. O máximo que o cliente pode ouvir é não", diz o analista Celso Amaral. 

Promoções
Antes que o consumidor tome a iniciativa, as próprias empresas estão organizando promoções. 

A construtora Even realizou no dia 29 de março um saldão de imóveis na Grande São Paulo e interior. Três mil apartamentos e salas comerciais foram ofertados com até 50% de desconto. 

Já a construtora Vitacon aposta em garantir 18 meses de aluguel ao proprietário em três empreendimentos na capital paulista. Segundo a empresa, o comprador que não conseguir locar o apartamento irá receber uma remuneração de 0,8% ao mês do valor líquido do imóvel. 

Outras construtoras também oferecem condições especiais até o final do mês. A PDG tem descontos de até 35% em seis empreendimentos em São Paulo. 

A Cury e a MRV ofertam apartamentos com desconto, na capital e interior do Estado. Já a Gafisa oferece isentar a incidência do INCC (Índice Nacional da Construção Civil) nas parcelas do financiamento. 

(Folha de São Paulo - Mercado - 28/03/2015)

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segunda-feira, 30 de março de 2015

Jornal Nacional destaca crise na construção e fala em grandes descontos

Só em São Paulo estão encalhados 27 mil imóveis, quase 60% a mais que a média histórica. Muitos apartamentos foram devolvidos pelos compradores. E os imóveis agora estão sendo liquidados com grandes descontos

A construção civil e a chamada indústria de transformação foram os setores da economia com os piores desempenhos no ano passado.

O desempenho da indústria de transformação, importante porque é aquela que produz bens de consumo e máquinas, foi negativo: menos 3,8% em 2014. É o setor da economia que tem os melhores empregos. Nossa indústria não conseguiu concorrer com os produtos importados, mais baratos porque o dólar estava baixo, e o investimento caiu.

“Não há clima de confiança para investimento. É uma coisa natural em qualquer parte do mundo. Investimento é acompanhado por confiança, estabilidade e visibilidade”, diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, prevê uma recuperação apenas em 2016. “Há um efeito muito significativo da Lava Jato, porque empresas como Petrobras e as empreiteiras certamente vão reduzir investimentos esse ano, vão consumir menos maquinas e equipamentos, então isso bate diretamente em indústria. Por isso que ainda vai ser um ano difícil para o setor”, avalia.

27 mil imóveis encalhados
O ano também foi ruim para a construção civil. Ela encolheu em 2014. Construtoras que aumentaram muito seus investimentos lá atrás, quando as vendas iam bem, foram pegas no contrapé. Agora estão tendo dificuldades para se desfazer de seus estoques de imóveis novos.

Só em São Paulo estão encalhados 27 mil imóveis, quase 60% a mais que a média histórica. Muitos apartamentos foram devolvidos pelos compradores. E os imóveis agora estão sendo liquidados com grandes descontos. O presidente do Sindicato da Habitação vincula a recuperação econômica do setor à melhora do cenário político.

“O investidor brasileiro hoje está num estado de letargia e esse talvez acho que seja um dos problemas maiores. Isso nós vamos resolver com a solução da crise política e a consequente solução do nosso problema econômico”, diz o presidente do Secovi, Claudio Bernardes.

(Portal G1 - Jornal Nacional - Notícia - 27/03/2015)
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sexta-feira, 27 de março de 2015

Valor: Queda histórica e deterioração da confiança no setor de construção

A confiança do setor de construção civil se deteriorou ainda mais em março, com os empresários pessimistas com a situação atual e também com as perspectivas para os próximos meses, de acordo com sondagem mensal da Fundação Getulio Vrgas (FGV)

O Índice de Confiança da Construção (ICST), que sintetiza a pesquisa, caiu 8,0% neste mês e atingiu 76,3 pontos, o menor nível da série do indicador, iniciada em julho de 2010. O recuo, além de ser o quarto consecutivo, foi o mais expressivo da série. 

“Os sucessivos recordes negativos registrados pela sondagem mostram que o nível de atividade do setor está caindo rapidamente. O elemento inesperado está vindo do segmento de infraestrutura, porque, neste caso, as dificuldades não estão relacionadas ao término de obras, como no segmento imobiliário, mas a obras que estão sendo paralisadas independentemente do estágio, o que tende a gerar um impacto ainda mais forte. E a percepção dos empresários é a de que este quadro tende a se agravar nos próximos meses”, destacou, em nota, Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV/Ibre. 

Queda histórica
A queda da confiança em março decorreu principalmente da piora das expectativas de curto prazo: o Índice da Situação Atual caiu 8,9% no mês, após recuo de 9,9% em fevereiro. Já o Índice de Expectativas variou ­7,3%, a maior queda histórica, após recuar 4,7% no mês anterior. Ambos os índices chegaram aos menores níveis da série, confirmando a continuidade do quadro de desaceleração do setor neste início de ano. 

A piora das expectativas atingiu os dois quesitos que integram o índice: o indicador que mede o grau de otimismo em relação à situação dos negócios nos seis meses seguintes recuou 9,0%, a maior variação negativa da série, ao passar de 98,5 pontos, em fevereiro, para 89,6 pontos, em março. O quesito que mede as expectativas em relação à evolução da demanda nos três meses seguintes passou de 88,4 pontos para 83,8 pontos no mesmo período, uma queda de 5,2%. 

Já o recuo da confiança com a situação atual foi influenciado majoritariamente pelo indicador de evolução recente da atividade, que caiu 11,4% em relação a fevereiro, atingindo 61,4 pontos. O indicador que mede o grau de satisfação com situação atual dos negócios recuou, 6,5%, ao passar de 75,1 para 70,2 pontos entre fevereiro e março. 

A edição de março da sondagem coletou informações de 706 empresas entre os dias 3 e 23 deste mês.

(Valor Online - Brasil - 26/03/2015)

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quinta-feira, 26 de março de 2015

Folha: Vendas em queda, cancelamentos e estoques elevados

As vendas de imóveis residenciais fracas no ano passado impactaram nos planos das construtoras. Segundo as empresas, o foco para 2015 será zerar a quantidade de imóveis "encalhados" e avaliar novos projetos com cautela

A Gafisa – que teve seu lucro comprometido pelo fraco desempenho do segmento Tenda, de habitação popular– postergou projetos, na expectativa de que o mercado reaja. Já a Even condiciona os próximos produtos à demanda e ao ritmo de venda dos imóveis em estoque – os que não são vendidos até três anos após o lançamento.

A Rossi, que teve prejuízo líquido de R$ 619,4 milhões em 2014, também diz ter reduzido o número de lançamentos para se focar na venda de estoque. "Continuaremos atentos às condições de mercado, e focados na venda do estoque com alta liquidez, e adequação da nossa estrutura e custos a esta nova realidade", diz a empresa em seu balanço.

No ano passado, a maioria das empresas de capital aberto registrou queda no número de lançamentos na comparação com 2013. Na Cyrela, por exemplo, foram lançados 29% menos empreendimentos em 2014 do que no ano anterior. PDG, Direcional e Tecnisa também registraram queda em novos projetos.

Ano fraco
Os números são resultado de um ano fraco de vendas e as empresas trabalham com a perspetiva de zerar o alto estoque de unidades – aquelas que não são vendidas até três anos após o lançamento. Apenas na cidade de São Paulo, o número de imóveis em estoque foi recorde em 2014, com 27.255 imóveis em estoque, segundo dados do Secovi-SP (o sindicato do mercado imobiliário). É o maior número em dez anos.

Segundo os analistas Lucas Gregolin Dias e Caio Moreira, da Fator Corretora, o mercado imobiliário passa por um momento de ajuste e mesmo empresas que tiveram lucro em 2014 planejam lançar menos.

Para Marco Barbosa, analista da CM Capital Markets, as empresas aceleraram a produção quando o mercado apresentava uma outra dinâmica, de custos elevados para aquisição de terreno e alta nos encargos trabalhistas. Assim, é mais difícil para elas, agora, conseguirem vender o estoque, quando as vendas já estão desaquecidas.

"As empresas estão demorando mais de 30 meses para vender esses estoques. Imóveis parados têm um custo financeiro alto e há empreendimentos entregue com apenas 20% das unidades vendidas, quando o normal é chegar ao final da obra com 10% dos imóveis ainda não vendidos."

Cancelamentos continuarão em alta
O mercado prevê que o número de distrato (cancelamento de compra de imóveis) siga alto neste ano, em decorrência do aumentos das taxas de juros de financiamento imobiliário e do maior rigor por parte dos bancos na hora de conceder crédito ao consumidor.

Para analistas financeiros, como a taxa de juros deve seguir elevada, o que impacta na renda e no emprego, os distratos devem subir, pois mais gente tende a desistir da compra do imóvel em um cenário de maior insegurança econômica.

Na MRV, o total de distratos chega a R$ 1,45 bilhão – alta de 33% em relação a 2013. A empresa prevê queda no número de distratos a partir de 2016. O número de cancelamentos também é alto na Rossi, de R$ 1,4 bilhão, uma alta de 82% ante 2013.

(Folha de São Paulo - Imóveis - 25/03/2015)

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quarta-feira, 25 de março de 2015

Valor: Liquidação imobiliária

Enquanto aguarda as mudanças de regulamentação, o mercado segue com um ritmo fraco de movimentação em 2015. O total de negócios com fundos imobiliários listados caiu 44,5% de fevereiro de 2014 para igual período de 2015

Não bastando um ritmo fraco de novas ofertas em bolsa, a indústria de fundos imobiliários tem perdido alguns participantes. O valor depreciado das cotas negociadas em bolsa, com descasamento com o preço dos ativos reais, tem levado alguns gestores a aproveitar as oportunidades para vender imóveis e, em alguns casos, encerrar as operações das carteiras. A baixa liquidez do mercado e o contexto de juros altos, o que eleva o custo de oportunidade, ainda permanecem como pano de fundo para o baixo apetite dos investidores. 

Dentre os casos mais recentes está o do Mais Shopping Largo 13, empreendimento que pertencia aos fundos administrados pelo Bradesco e pela Credit Suisse Hedging­Griffo (CSHG). Os cotistas de ambas as carteiras aprovaram a venda das frações ideais. Com isso, os dois fundos foram liquidados, com a partilha do patrimônio entre os cotistas. 

No REP 1 CCS, também administrado pela CSHG, ocorreu situação similar. Os cotistas do fundo aprovaram a alienação do único imóvel integrante da carteira. A decisão também levou à aprovação da liquidação do fundo. 

Há ainda o caso do Fundo Máxima Renda Corporativa, que fechou, no início do mês, a venda dos ativos. Em fato relevante, foi informado que, com a conclusão da operação, será convocada assembleia extraordinária para deliberação acerca da destinação dos recursos e/ou liquidação do fundo. 

Casos não são pontuais
Para o diretor da área de fundos imobiliários da CSHG, André Freitas, os exemplos mencionados não são pontuais. No caso do Mais Shopping Largo 13, ele ainda ressalta que a oferta feita pelo comprador foi "muito boa". 

"Por vários fatores, alguns fundos estão negociando no [mercado] secundário num patamar muito abaixo que no mercado real. Então o imóvel tem uma avaliação e uma valorização superior ao fundo que representa, de alguma forma, um pedaço daquele imóvel ou ele inteiro", explica Freitas, mencionando a existência de um desconto em torno de 30% das carteiras negociadas em bolsa em relação aos respectivos valores patrimoniais. 

"É isso que tem levado alguns administradores, referenciados pelas assembleias, a procurar a venda dos ativos no mercado e levar ao fechamento do fundo", afirma o executivo. 

Situação vai persistir neste ano
O processo continua neste ano, aponta Freitas, mas de forma mais pontual. O mercado, diz, veio numa crescente de 2011 a 2013, olhando mais para fora. A partir do ano passado, foi necessário começar a olhar para dentro das carteiras, já que a alta de juros praticamente inviabilizou as ofertas, analisa o diretor. 

Apesar dos casos mais recentes do mercado, o advogado Carlos Ferrari, sócio do escritório N, F&BC Advogados, pondera que os dois primeiros fundos citados não eram tão pulverizados e observa que o fim das carteiras foi mais uma solução que uma estratégia. 

De toda forma, a taxa de juros elevada continua a atrapalhar o mercado de forma geral, e permanece o descolamento das cotas negociadas em bolsa do valor dos ativos. "Essa leitura já foi mais míope, mais distorcida no passado. Hoje se está cada vez mais próximo de entender que não deveria haver grandes distanciamentos entre o valor patrimonial das cotas e o do mercado, mas, toda vez que os juros sobem, existe essa visão de que se deve arbitrar", afirma Ferrari. 

Embora considere que o processo de encerramento de fundos não seja fácil, dada a necessidade de aprovação em assembleia, Gustavo Borges, operador de fundos imobiliários da XP Investimentos, lembra que carteiras com um ativo só são mais propensas a esse tipo de operação. 

E por que a decisão de vender? 
"Os investidores, até por medo do mercado, decidiram realizar e ficar com liquidez. Tem muita gente com receio de ficar com um ativo imobilizado", diz Claudia Martinez, diretora do Banco Máxima. 

E há a questão do próprio custo de oportunidade, ressalta o presidente do Banco Máxima, Saul Sabbá. "O dinheiro vai ter muito valor principalmente num mercado em que o crédito começa a ser muito restritivo." 

Queda de 44,5%
Enquanto aguarda as mudanças de regulamentação, o mercado segue com um ritmo fraco de movimentação em 2015. O total de negócios com fundos imobiliários listados caiu 44,5% de fevereiro de 2014 para igual período de 2015. Conforme os dados da BM&FBovespa, o volume financeiro também teve queda da mesma ordem, de 44%. 

E após quatro meses de crescimento, o total de investidores pessoas físicas voltou a cair em fevereiro. 

A marcação a mercado se torna de certa forma traumática para a pessoa física, avalia Freitas, da CSHG. "Você não vê todo o dia o preço do imóvel, mas na bolsa você vê a cota, e isso talvez incomode aquele investidor que sente uma diminuição do seu patrimônio. Ele 'tangibiliza' através da cotação o valor do patrimônio, o que muitas vezes não é real, porque não se realizou a venda", comenta. 

No mês passado, o retorno médio de todas as carteiras imobiliárias listadas em bolsa com negociação de cotas, ponderado por valor de mercado, voltou a ficar negativo, segundo os dados da Quantum, provedora de informações financeiras. O cálculo captura o efeito da variação das cotas no mercado secundário e o pagamento de rendimentos aos cotistas. 

(Valor Online - Finanças - 25/03/2015)

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