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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Portal G1: Leilões de imóveis devolvidos por falta de pagamento disparam

“Faltou planejamento financeiro para a maioria das famílias brasileiras. Existe muito a cultura do imediatismo, a prestação cabe hoje no meu orçamento, eu consigo pagar ela hoje, e esquece que o contrato é de 20, 25, 30, até 35 anos [...]"

O momento parece bom para quem pretende comprar um imóvel, mas tem muita gente que comprou e teve que devolver, porque não conseguiu pagar como previsto. A Caixa Econômica Federal leiloou 66,8% a mais de imóveis de janeiro a agosto deste ano do que no mesmo período do ano passado. Foram 5334 imóveis em 2014 e 8897 em 2015.

Os preços em baixa, as promessas de desconto, tudo isso entusiasma quem procura um imóvel para comprar. O contador Daniel Patrício Chieste tentou comprar um apartamento, planejou pagar uma entrada de 10% e financiar o resto. Porém, as regras mudaram no meio das negociações, quando muitos bancos limitaram o financiamento a 80% do preço. O valor da entrada dobrou e Daniel desistiu. “O sonho tá adiado e futuramente vou comprar outro imóvel”, afirma.

Existem ainda os casos de pessoas que financiaram, começaram a quitar as prestações e, às vezes, até já moravam na casa nova, mas que, depois, por falta de pagamento, perderam o imóvel e o dinheiro que já haviam investido. Só em Minas Gerais, são 400 histórias como essa a cada mês.

Falta de planejamento e imediatismo
“Faltou planejamento financeiro para a maioria das famílias brasileiras. Existe muito a cultura do imediatismo, a prestação cabe hoje no meu orçamento, eu consigo pagar ela hoje, e esquece que o contrato é de 20, 25, 30, até 35 anos. Uma inadimplência superior a três meses faz com que o banco retome esse imóvel, absorva ele e venda para terceiros em leilão”, explica Silvio Saldanha, presidente da Associação de Mutuários e Moradores de MG.

Para não cair nessa, Silvio recomenda cautela: “É importante esse passo a passo, não sai do zero para 400, do 0 pro 500. Sai do zero para apartamento de 200. Entra nesse apartamento, vai pagando. Quitou? Inclusive ele serve como moeda de troca, muitos construtores hoje aceitam como moeda de troca na compra de um novo”.

A estudante Rafaela de Assis Carvalho Delazário mora com o marido e o filho, Cauã, em uma casa de dois quartos, mas o sonho da família é um lugar maior, com três quartos. Só que ela tem medo de dar um passo maior que as pernas e pretende ir aos poucos: “Não cabia no nosso orçamento. A gente não ia conseguir honrar com os pagamentos, aí a gente conseguiu achar uma casa que se enquadrasse no valor que a gente poderia pagar”.

(Portal G1 - Jornal Hoje - Notícia - 27/08/2015)

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Infomoney: ESTOUROU! Brasil se aproxima de colapso imobiliário

O setor imobiliário, que responde por cerca de 10 por cento da economia do Brasil, está surgindo como uma das mais recentes vítimas de uma recessão que os analistas projetam que será a mais longa desde os anos 1930. [...] “Não existe empresa imobiliária que sobreviva sem vendas”, disse Bruno Mendonça Lima de Carvalho, chefe de renda fixa da Guide Investimentos SA, de São Paulo

Há pouco tempo, o mercado imobiliário do Brasil era um dos maiores símbolos do crescente poder econômico do país. 

Agora, o setor se tornou vítima de uma recessão cada vez mais profunda. A PDG Realty SA, que chegou a ser a maior construtora residencial em termos de receita, contratou o Rothschild na semana passada para ajudar a reestruturar R$ 5,8 bilhões (US$ 1,6 bilhão) em dívidas depois que suas vendas líquidas do segundo trimestre afundaram 88 por cento. No início deste mês, a Rossi Residencial SA, que tem R$ 2,5 bilhões em dívidas, também recorreu a assessores para “reestruturar operações e rever estratégias”. Desde 2010, a construtora perdeu 99 por cento de seu valor no mercado de ações. 

O setor imobiliário, que responde por cerca de 10 por cento da economia do Brasil, está surgindo como uma das mais recentes vítimas de uma recessão que os analistas projetam que será a mais longa desde os anos 1930. Para piorar as coisas, as taxas de juros são as mais altas em quase uma década, enquanto a inflação está subindo. 

Mercado não sobrevive sem vendas
“Não existe empresa imobiliária que sobreviva sem vendas”, disse Bruno Mendonça Lima de Carvalho, chefe de renda fixa da Guide Investimentos SA, de São Paulo. “Não é possível importar ou exportar apartamentos. O setor depende unicamente da atividade doméstica”. 

A assessoria de imprensa da PDG não respondeu aos e-­mails e a um telefonema em busca de comentário sobre a reestruturação da dívida. 

A construtora tentou ampliar as receitas reduzindo os preços, financiando até 20 por cento de algumas compras de imóveis e até mesmo oferecendo a recompra de apartamentos em caso de os bancos negarem o financiamento. Ainda assim, a empresa vendeu apenas 217 unidades no segundo trimestre em uma base líquida, contra 1.749 em 2014. 

Perspectiva negativa 
Na sexta-­feira, a Moody’s Investors Service reduziu a classificação da PDG em três níveis, para Caa3, citando a possibilidade de prejuízos significativos para os detentores de bonds e outros credores. Os credores com garantia poderão recuperar menos de 80 por cento em caso de calote, segundo a Moody’s, que manteve uma perspectiva negativa para a classificação. 

“A empresa está enfrentando pressões adicionais de liquidez devido a uma prolongada deterioração nas dinâmicas do setor, incluindo a lentidão nas vendas, a restrita disponibilidade de financiamento e a queda dos preços imobiliários”, disse a Moody’s. 

A Rossi, que tem sede em São Paulo, disse em resposta por e­mail que as vendas do segundo trimestre melhoraram e que o foco principal da empresa é reduzir dívidas. A dívida bruta caiu cerca de 30 por cento no período de 12 meses terminado em junho, disse a Rossi. 

As vendas de imóveis na maior economia da América Latina caíram 14 por cento no primeiro semestre de 2015, segundo dados do instituto nacional imobiliário. As construtoras reduziram os novos projetos em 20 por cento no período e o financiamento disponível encolheu em cerca de um quarto. 

Colapso do real 
Trata­-se de uma reversão em relação a apenas dois anos atrás, quando os preços dos imóveis em lugares como Rio de Janeiro e São Paulo haviam subido até 230 por cento porque os aumentos salariais, a valorização do real e os custos dos empréstimos em uma baixa recorde iniciaram uma onda de compras de residências. 

Os brasileiros se encontram em circunstâncias drasticamente diferentes hoje. A moeda perdeu 27 por cento de seu valor apenas em 2015, enquanto a taxa de desemprego atingiu o nível mais alto em cinco anos, de 7,5 por cento em julho. 

O Banco Central elevou sua taxa básica para 14,25 por cento em julho, tornando ainda mais caro o financiamento para compra de uma residência. 

“É uma questão de demanda e a demanda está realmente fraca”, disse Will Landers, que gerencia ações latino­-americanas na BlackRock, de Princeton, Nova Jersey, EUA. “Nós podemos ter atingido um pico nas taxas de juros, mas elas deverão seguir nesses níveis por um tempo. Os consumidores continuarão observando de fora porque os níveis de dívida ainda estão altos e o emprego irá piorar”.

(Infomoney - Bloomberg - Mercados - Notícia - 26/08/2015)

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Valor: Em crise, construção civil fechou 700 mil vagas em um ano

A construção perdeu mais de 500 mil postos de trabalho entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, segundo dados da Pnad Contínua, divulgados nesta terça-­feira pelo IBGE. Nesse período, a atividade eliminou 6,7% dos trabalhadores. 

O prejuízo no mercado de trabalho da construção foi ainda maior na comparação anual. Entre abril e junho de 2014 e o mesmo período deste ano, o setor perdeu 8,6% das vagas, uma queda de quase 700 mil vagas. 

A indústria perdeu menos. No confronto anual, a queda foi de 0,3%, enquanto que entre o primeiro e o segundo trimestre o tombo foi de 1,1%, recuo de 141 mil postos de trabalho. 

Outro segmento que perdeu vagas entre 2014 e 1015 foi a agricultura, pecuária e pesca: o recuo no período foi de 2,1%, uma perda que atingiu 207 mil pessoas. 

(Valor Online - Brasil - 25/08/2015)

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Valor: As perspectivas (sombrias) para o crédito habitacional

O que se vê, já, é a retração, o encarecimento e a elitização do crédito habitacional no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Tudo aponta para o aumento da pressão sobre o FGTS, que já sofreu ampliação do orçamento do Pró-Cotista para vir ao socorro da redução dos financiamentos pela poupança

De janeiro a julho deste ano a poupança apresentou sucessivas perdas de captação líquida, com redução do estoque de R$ 522,3 bilhões, em dezembro de 2014, para R$ 504,6 bilhões em julho de 2015. Isto indica a retração da oferta de crédito pelo SBPE, justamente porque a Caixa já se encontra muito alavancada e a regulamentação permite que os bancos privados apliquem apenas 38% (abril-15) dos recursos captados em poupança no financiamento habitacional nas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

A alteração recente na regulamentação é pouco efetiva no sentido de ampliar a oferta de crédito pelo SFH e aponta para a piora nas suas condições. 

Os bancos privados nacionais não têm tanto apetite para o crédito habitacional e não pretendem ampliar a carteira; pelo contrário, a tendência é de redução. Na resolução 4410, ao elevar o compulsório em 4,5% (transferindo parte do antes obrigatoriamente encarteirado em títulos públicos) e, ao mesmo tempo, conceder redução desses 4,5% por meio da dedução de parte do saldo dos financiamentos habitacionais, o Banco Central dá aos bancos privados a escolha entre aumentar sua carteira de crédito habitacional ou comprar CRIs com lastro SFH para recompor o direcionamento. Estamos falando de cerca de R$ 11 bilhões. Caso não sejam utilizados de uma ou outra forma, o BC os recolhe a um custo bem mais barato que Selic.

O que se vê, já, é a retração, o encarecimento e a elitização do crédito habitacional no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Tudo aponta para o aumento da pressão sobre o FGTS, que já sofreu ampliação do orçamento do Pró-Cotista para vir ao socorro da redução dos financiamentos pela poupança.

O FGTS também apresenta contradições e perdas de oportunidade. Ao longo da última década, restrito a rendas de até R$ 5,4 mil, o FGTS vinha expandindo o financiamento downmarket, permitindo o acesso a famílias antes excluídas. As aplicações em financiamento habitacional aumentaram de 29% dos ativos em dezembro de 2008 para 43% em dezembro de 2013. Ainda há, portanto, espaço para crescer sua carteira de crédito habitacional e para baixar as taxas de juros cobradas, dado o seu baixo custo de captação (3% a.a. +TR).

O conjunto de aplicações do Fundo - que compreende, além dos empréstimos, títulos públicos, aplicações financeiras e o FIFGTS - proporciona um mix de rentabilidade, cuja diferença em relação ao rendimento pago aos cotistas vem construindo um patrimônio líquido bilionário, de R$ 64,6 bi (dezembro de 2013), que, segundo matéria recente do Valor, saltou para R$ 77,5 bilhões em 2014 (graças ao lucro líquido de R$ 12,9 bilhões no ano). O acúmulo de PL não faz sentido em um Fundo com as características e o papel do FGTS.

A tendência do FGTS de investir crescentemente em Fundos Imobiliários, debêntures, CRIs e os empréstimos via FIFGTS, que envolvem maior risco que as aplicações em títulos públicos, só se justifica se oferecerem retorno que compense a elevação do risco. Maiores rentabilidades em parte das aplicações deveriam permitir empréstimos habitacionais a taxas de juros menores, mais próximas do custo de captação, e/ou a elevação da rentabilidade dos depósitos, já que a produção de lucro e o acúmulo de PL não devem constituir objetivos em si.

Ainda, a taxa de administração paga anualmente ao seu agente operador, a Caixa, de 1% dos ativos (R$ 3,5 bilhões em 2013), tampouco encontra justificativa neste que é um Fundo compulsório, de grande porte, com baixa exigência de rentabilidade e função social. Esta alta remuneração eleva as despesas operacionais, pressionando as margens e dificultando a concessão de crédito a taxas de juros menores.

A diversificação de aplicações sem a compensação do risco no retorno, a busca pela produção de margens elevadas e aumento de PL e, ainda, a alta remuneração do agente operador que detém monopólio sobre o Fundo são estratégias de gestão que precisam ser revistas e incorporadas na discussão sobre o aumento da rentabilidade para os trabalhadores. O debate centrado exclusivamente no dilema do custo dos financiamentos habitacionais, que não é tão baixo, a partir de 7,16% mais TR, está equivocado.

Não obstante, considerando a estrutura de distribuição de renda e conjuntura econômica atual, a discussão sobre a alteração da correção não pode negligenciar o papel potencial do FGTS para atender famílias que não conseguem financiamento a juros mais elevados. O FGTS é uma instituição da sociedade brasileira, criada com o duplo objetivo de instituir pecúlio para o trabalhador e fomentar a habitação social.

Esta análise indica, infelizmente, que a tendência é de exclusão das famílias que dependem de condições mais acessíveis de crédito para adquirir sua moradia. É hora de centrar os debates sobre o real uso que fazemos da oportunidade criada pelo SFH e suas fontes, que juntas somam quase R$ 1 trilhão, de forma a equacionar os problemas habitacionais do país, que ainda ostenta um déficit superior a 6 milhões de unidades. Voltar índice

(Valor Online - Opinião - 24/08/2015)

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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Correio do Estado: Mercado de luxo também sente a crise imobiliária

“É uma roda isso [mercado imobiliário]: se você tira um pedaço, vai travando tudo”, explica o presidente do Secovi-MS, Marcos Augusto Netto [...] Entre maio e junho, os profissionais do setor imobiliário enfrentaram queda estimada de até 70% nas vendas

Com o ritmo do mercado de imóveis desacelerado, até o segmento que atende clientes de alto padrão precisou aprender a incluir no vocabulário a palavra crise. Os profissionais do setor explicam que toda a cadeia de vendas é prejudicada quando uma parte é atingida.

“É uma roda isso [mercado imobiliário]: se você tira um pedaço, vai travando tudo”, explica o presidente do Secovi-MS, Marcos Augusto Netto. 

Queda de 70% nas vendas
Proprietário de imobiliária, Claudemir Neves acrescenta que o mercado de alto padrão não foi muito prejudicado pela crise financeira, mas que sofreu uma “pequena redução nas vendas”. Isso por que “às vezes esse tipo de cliente precisa vender um ou vários antigos para comprar um novo”. 

Entre maio e junho, os profissionais do setor imobiliário enfrentaram queda estimada de até 70% nas vendas (dependendo do segmento). A situação econômica do País e as restrições para liberação de financiamento de imóveis usados anunciadas pela Caixa Econômica Federal em maio são apontadas como principais fatores para a queda no movimento. 

(Correio do Estado - Cidades - 24/08/2015)

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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Folha: Incorporadoras têm queda nas vendas e aumento no prejuízo

E 12 delas registraram queda no lucro ou aumento no prejuízo no período. [...] A queda no desempenho é resultado da combinação de demanda desaquecida e o número ainda alto de distratos

Com menos crédito na praça e consumidores mais ressabiados com a economia, as incorporadoras amargaram perdas no segundo trimestre. Onze das 13 maiores companhias de capital aberto do país tiveram redução nas vendas líquidas, a diferença entre os contratos firmados e os cancelados, frente ao mesmo período de 2014. 

E 12 delas registraram queda no lucro ou aumento no prejuízo no período. 

A queda no desempenho é resultado da combinação de demanda desaquecida e o número ainda alto de distratos. 

"O fator mais relevante é a deterioração da confiança. Sem ter certeza se terá emprego e se a economia vai piorar, você não embarca numa operação que bloqueia sua poupança e lima 30% da sua renda mensal", diz João da Rocha Lima Júnior, diretor do Núcleo de Real Estate (setor imobiliário) da Poli­USP. 

Está difícil fechar negócio 
O alto índice de distratos começou a ser observado no ano passado. Segundo relatório da agência de risco Fitch, contratos no valor de R$ 6,8 bilhões foram rescindidos em 2014. No ano anterior, haviam sido 5,6 bilhões. 

Algumas incorporadoras sinalizam melhora neste quesito de março a junho ante o ano anterior. Mas, sem alta expressiva nos novos contratos, os cancelamentos seguiram minando os resultados. 

Na Direcional, o índice de rescisão caiu de 41% no segundo trimestre de 2014 para 30,4% no mesmo período deste ano. Com menos contratos firmados, o resultado mesmo assim piorou. E a empresa acredita que nos próximos meses os cancelamentos podem subir novamente. 

Diante disso, vem tentando acelerar a rescisão com quem não tem financiamento garantido. A ideia é revender as unidades para quem tenha condição de pagar. 

Na Brookfield, tal política fez com que o distratos superassem os novos negócios fechados em R$ 104 milhões. 

As incorporadoras que melhoraram os resultados, Rossi e Gafisa, compensaram a redução da procura com a queda nos cancelamentos.

A Rossi cortou pela metade as rescisões frente ao segundo trimestre do ano passado. A incorporadora fez um grande movimento em 2014 para cancelar contratos de consumidores em situação frágil e passou a dar descontos aos que ficaram para garantir o recebimento. 

Já a Gafisa foi beneficiada pelo desempenho da Tenda, sua divisão de imóveis populares. Após mudar sua política de vendas e cortar despesas em 2014, a empresa atraiu clientes com melhor capacidade de pagamento e voltou a lançar imóveis. 

Queda nos lançamentos e demissões
Cinco incorporadoras (Brookfield, Rossi, Tecnisa, João Fortes e PDG) decidiram não colocar nada novo no mercado, repetindo um movimento já visto no três primeiros meses do ano. 

Na região metropolitana de São Paulo, o número de novas unidades lançadas caiu 14% de janeiro a junho frente ao primeiro semestre de 2014, segundo o Secovi­-SP. 

Um dos efeitos da diminuição de obras são as demissões. Na PDG, por exemplo, quase 1.300 funcionários já foram cortados este ano. 

(Folha de São Paulo - Mercado - 18/08/2015)

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Portal R7: Com a crise imobiliária, estoque chega a 99 mil unidades

Zylberstajn explica que seria estranho mostrar vendas e lançamentos em alta, pois não batem com a situação do País

O mercado imobiliário brasileiro acompanha o desaquecimento econômico do País e apresenta uma redução nos lançamentos e nas vendas de imóveis.

O Brasil tem um estoque de 99 mil imóveis, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (19) pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

O levantamento mostra que, neste ano, foram lançados em todo o País 26,5 mil unidades, uma queda de 20% na comparação com o mesmo período de 2014.

Já as vendas, neste mesmo período, tiveram uma queda de 14% em relação ao ano passado.

Vendas e lançamentos em alta não batem com a situação do País
Segundo o economista da Fipe Eduardo Zylberstajn, responsável pelo estudo, esses dados já mostram que as incorporadoras estão lançando menos do que estão vendendo, o que demonstra que o setor está fazendo um ajuste não somente no preço dos imóveis.

Zylberstajn explica que seria estranho mostrar vendas e lançamentos em alta, pois não batem com a situação do País.

— Quando a confiança, tanto do consumidor como do empresário, está em baixa, há uma retração na demanda e um ajuste na oferta. No cenário de maior incerteza, há uma posição de cautela.

Ajuste como "adaptação"
O vice-presidente executivo da Abrainc, Renato Ventura, afirmou que a queda dos lançamentos já está acontecendo há mais de um ano e que as incorporadoras têm feito esse ajuste como adaptação, para enfrentar o momento mais difícil.

— Por outro lado, as vendas mostram uma resiliência maior. Há uma demanda que continua a existir. Vemos continuidade na demanda e ajustes no setor feitos com os lançamentos.

Outro dado apresentado no estudo da Abrainc/Fipe foram as entregas de imóveis, que refletem os imóveis lançados há cerca de três anos. Neste ano, foram entregues 62,1 mil imóveis, o que representa uma queda de 11% em relação ao ano passado.

Estoque
O levantamento mostra ainda que o País tem um estoque de 99 mil unidades disponíveis no mercado. Segundo a Fipe, se for mantido o ritmo de vendas do último trimestre, seriam necessários 13,2 meses para comercializar toda essa oferta. Já no mesmo período do ano passado, seriam necessários 11,8 meses para vender o estoque existente.

(Portal R7 - Economia - 19/08/2015)

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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O Tempo: Valor do aluguel comercial cai 40%, com direito a um ano grátis

Em março de 2015, o dono de um conjunto de lojas comerciais na avenida Barão Homem de Melo deu 12 meses de carência no aluguel para não ter que arcar com condomínio e IPTU

O aumento da oferta de imóveis em Belo Horizonte tem afetado os preços dos aluguéis, principalmente dos comerciais, ainda mais atingidos pela crise econômica no país. Essa constatação é unânime entre especialistas do mercado e locadores, que este ano estão mais abertos a negociação. A queda no valor do aluguel chega a 40%, segundo corretores de imóveis que atuam na capital. 

“Abriu-se uma temporada de pedidos de renegociação por parte dos inquilinos e os proprietários estão se rendendo”, garantiu o dono do IBH Negócios Imobiliários, Thiago Menezes.

“O impacto maior foi no imóvel comercial, já que neste momento de crise, quase ninguém está abrindo novos negócios”, avaliou o proprietário da Bontempo Imóveis, Sérgio Bontempo. O especialista explica que, recentemente, o locador de um conjunto de salas no bairro Santo Agostinho reduziu o aluguel de R$ 7.000 para R$ 4.500 para não perder o inquilino. “Os proprietários estão com mais disposição de manter do que perder a renda do aluguel. Quem não abre mão do valor está com as lojas paradas há pelo menos oito meses”, explicou.

Para o diretor de locação da Casa Mineira, Daniel Araújo, foi observada uma queda do preço médio do metro quadrado negociado de 10% a 15% em relação ao último ano no caso dos imóveis comerciais. “Houve um aumento da oferta, estimulada pelo alto volume de lançamentos nos últimos anos e a demanda que vem caindo pela situação econômica do país”, afirmou. A corretora Regina Caruso conta que os valores dos aluguéis sofreram em média uma redução de 20%. “Quem já aluga o imóvel prefere diminuir o preço a ter que arcar com custo de condomínio”, afirma Regina.

Dono de uma cobertura no bairro Fernão Dias, região Nordeste da capital, Luiz Antônio está sentindo a dificuldade em alugar o imóvel. Ele baixou o aluguel de R$ 2.800 para R$ 2.690. “Esse valor já inclui até o IPTU”, ressalta. Para quem depende da renda do aluguel, a situação é mais crítica, como relatou a proprietária de um imóvel no bairro Santa Mônica, que preferiu não se identificar. “Mesmo reduzindo o preço da casa para fazer negócio com mais rapidez, ainda não consegui alugar”, lamentou.

Um ano de aluguel "de graça"
Em março de 2015, o dono de um conjunto de lojas comerciais na avenida Barão Homem de Melo deu 12 meses de carência no aluguel para não ter que arcar com condomínio e IPTU.

(O Tempo - Capa - Economia - 14/08/2015)

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Valor - Do lucro ao prejuízo: há quem diga que o pior ainda não chegou

Há quem diga até que o pior momento para o setor ainda não chegou, pois a demanda por imóveis depende dos indicadores de emprego e renda e da taxa de juros [...] O diretor superintendente da Rossi, Leonardo Diniz, divulgou que as margens continuarão pressionadas, no curto prazo, pelos descontos para acelerar as vendas. Os abatimentos são "mais agressivos", de acordo com Diniz, em unidades prontas ou quase concluídas [...] Há quem avalie que, para melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda, é preciso um ajuste de preços médios do setor

As incorporadoras de capital aberto tiveram prejuízo líquido de R$ 262,19 milhões no segundo trimestre, ante o lucro líquido de R$ 483,58 milhões obtido um ano atrás. Com menos lançamentos e vendas, a receita líquida caiu 16,9%, para R$ 6,32 bilhões. O setor lançou, em conjunto R$ 3,2 bilhões e vendeu R$ 4 bilhões, com retrações de 38% e 21%, respectivamente, na comparação anual.

A concentração de boa parte da comercialização em unidades prontas fez com que a receita fosse superior à venda do período. 

O pior momento ainda não chegou
No primeiro semestre, os lançamentos somaram R$ 4,94 bilhões, o correspondente à metade de um ano antes, enquanto as vendas encolheram 27%, para R$ 7,43 bilhões. Das 17 incorporadoras listadas em bolsa, sete não fizeram nenhum lançamento até junho ­ Tecnisa, Rossi Residencial, Viver, Brookfield Incorporações, CR2, JHSF e João Fortes. Foram considerados somente os dados da divisão de incorporação da JHSF. 

O desempenho operacional das incorporadoras listadas em bolsa continuará fraco neste semestre e em 2016, na avaliação do mercado, com recuperação somente no médio prazo. Há quem diga até que o pior momento para o setor ainda não chegou, pois a demanda por imóveis depende dos indicadores de emprego e renda e da taxa de juros. É esperada ainda defasagem entre o momento em que a economia melhorar e a retomada maciça dos lançamentos, pois as incorporadoras precisarão reforçar bancos de terrenos e aprovar projetos. 

Redução de 75,6% nos lançamentos
A Cyrela, maior incorporadora de capital aberto do país, divulgou que seus lançamentos, neste ano, serão menores do que em 2014. Conforme o diretor financeiro, Eric Alencar, o foco estará na venda de estoques em 2015 e no próximo ano. Os estoques prontos da Cyrela tendem a continuar crescendo, segundo Alencar. Independentemente de o cenário melhorar ou piorar, a Cyrela tem de vender estoques, de acordo com o executivo. "Temos que fazer o que é certo em qualquer cenário", disse Alencar. 

A Tecnisa pode encerrar 2015 sem apresentar nenhum novo projeto, o que dependerá das condições de mercado, conforme o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Vasco Barcellos. Conforme o Valor apurou, a PDG não deve lançar mais nada, neste ano, além dos R$ 23 milhões do primeiro trimestre. 

A Even reduziu seus lançamentos em 75,6% no primeiro semestre e também foca a venda de estoques. Mas "é provável", conforme o diretor financeiro e de relações com investidores da Even, Dany Muszkat, que a companhia faça algum lançamento no terceiro trimestre. Na divisão Gafisa, "haverá momentos para lançamentos no segundo semestre, mas a postura é de cautela", de acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores, André Bergstein. 

Médio e alto padrão em crise
Analistas ressaltam que incorporadoras voltadas aos padrões médio e alto sentirão, na totalidade do segundo semestre, as restrições de crédito imobiliário anunciadas em maio pela Caixa Econômica Federal. Isso tende a gerar novos distratos e a pressionar ainda mais os estoques. Os bancos privados estão abocanhando apenas uma fatia que deixou de ser atendida pela Caixa e também elevaram as taxas de juros e reduziram a parcela financiada. 

Para diminuir o impacto das restrições de crédito, incorporadoras têm oferecido financiamento direto aos clientes. Entre as empresas que proporcionam a modalidade estão Cyrela, EZTec, Gafisa, Tecnisa, Even, Helbor e JHSF. A Cyrela, por exemplo, tem linha de financiamento direto de até 80% do valor do imóvel, pelo prazo máximo de 200 meses, além de adotar medidas como apresentar o cliente a outros bancos quando o crédito é negado por uma instituição. 

Descontos e facilidades
As incorporadoras mantêm apostas também em descontos e facilidades de pagamento para incentivar a compra de imóveis. O diretor superintendente da Rossi, Leonardo Diniz, divulgou que as margens continuarão pressionadas, no curto prazo, pelos descontos para acelerar as vendas. Os abatimentos são "mais agressivos", de acordo com Diniz, em unidades prontas ou quase concluídas.

Há quem avalie que, para melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda, é preciso um ajuste de preços médios do setor. 

Para baixar estoques, as empresas têm lançado mão ainda de medidas criativas. Até abril de 2016, quem comprar uma unidade da Even pode acumular pontos no programa de fidelidade da Multiplus, controlada pela TAM. Neste mês, o comprador ganha 100 mil pontos ao adquirir qualquer imóvel em São Paulo e, se visitar um projeto da empresa, mas comprar unidade de concorrente, tem 20 mil pontos. A parceria oferece pontos aos corretores a cada venda e aos colaboradores que indicam clientes. A campanha é complementar aos descontos oferecidos. 

Os abatimentos pressionam as margens das companhias, mas contribuem para geração de caixa e para reduzir a alavancagem do setor medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido. Ainda assim, houve quem elevasse sua alavancagem no segundo trimestre na comparação com um ano antes, caso da Rossi, cujo indicador passou de 91,8% para 106,4%. Já PDG e Tecnisa obtiveram melhora do indicador, mas continuam com patamar elevado. Na PDG, o índice caiu de 130,9% para 110,4% e, na Tecnisa, passou de 131,8% para 113%. 

Dívidas e demissões
A PDG anunciou início do processo de reestruturação de suas dívidas. A empresa contratou o Rothschild para assessorá­la na readequação do perfil da dívida, no reforço do capital de giro e fortalecimento da estrutura de capital. 

Ainda não está claro qual será o novo tamanho do setor de incorporação. Empresas continuam a cortar pessoal para adequar as respectivas estruturas às novas necessidades de lançamentos e reduzir despesas gerais e administrativas. A Rossi demitiu 200 funcionários no primeiro semestre, o correspondente a 20% do quadro administrativo e readequou as áreas de escritório ocupadas. 

A PDG Realty cortou 23% do quadro de funcionários no segundo trimestre ante o primeiro trimestre e continuará a ajustar sua estrutura conforme a necessidade da operação. Desde 2014, a Tecnisa vem fazendo cortes de pessoal ­ a maior parte concentrada no fim do ano e início de 2015 ­ e novas demissões irão ocorrer. 

No segundo trimestre, a Gafisa fez cortes de pessoal, mas o patamar não foi informado. A estrutura continuará a ser ajustada. A folha de pagamento da EZTec foi reduzida em 35% desde início do ano passado, período em que o número de canteiros de obras ativos caiu de 33 para 24.

(Valor Online - Empresas - 18/08/2015)

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Portal UOL: Lucro líquido da MRV despenca 60,3% no segundo trimestre

A MRV Engenharia registrou lucro líquido de R$ 159 milhões no segundo trimestre de 2015, o que representa queda de 60,3% sobre o mesmo período de 2014.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 192 milhões, recuo de 55,2% na mesma comparação. A margem Ebitda caiu 27,6 pontos porcentuais, para 14,7%.

Já as incorporadoras de capital aberto focadas em imóveis destinados aos padrões médio e alto, Cyrela, EZTec, Helbor e Trisul ­, também apresentaram lucro líquido abaixo do mesmo período do ano passado. Cyrela e EZTec, cujas vendas caíram, tiveram queda de receita.(*)

(*) Informação complementar do Valor Online

(Portal UOL - Últimas Notícias - Agência Estado - 14/08/2015)

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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Exame: Efeito bolha provoca aumento de imóveis retomados pelos bancos

Além de perder o imóvel, não há garantia de que haja restituição integral do valor já pago pelo comprador ao banco. Isso porque, ao retomar o imóvel, o banco deve, obrigatoriamente, realizar dois leilões. Se não conseguir vender o imóvel no primeiro leilão, no segundo o banco pode, em tese, vende-lo por um valor mais baixo, suficiente para quitar a dívida do comprador, diz Tapai

A falta de pagamento de prestações de imóveis financiados levou bancos a retomarem 517 imóveis na cidade de São Paulo apenas no ano passado. É o maior número desde 2004, de acordo com levantamento da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp), feito a pedido de EXAME.com.

O panorama não deve ser diferente este ano: de janeiro a julho, 334 unidades foram retomadas, o equivalente a 64% do total registrado em todo o ano passado.

A alienação fiduciária, operação financeira criada em 1997, facilitou a retomada do imóvel pelo banco em caso de inadimplência ao permitir que esse processo aconteça de forma extrajudicial, via cartório. Antes, o processo tinha necessariamente de passar pelos tribunais e poderia se prolongar por anos. A operação consiste em dar o imóvel como garantia do pagamento do financiamento concedido pelo banco. Até que a dívida seja quitada, o banco detém a propriedade do bem, enquanto o comprador tem apenas a posse da unidade, que é o direito de usufruir do bem.

Caso o comprador fique inadimplente, ou seja, não pague as parcelas da dívida por três meses seguidos, o banco pode intimá-lo a pagar o valor total das parcelas atrasadas, com correção de juros e aplicação de multa. A partir dessa notificação, o comprador tem 15 dias para quitar o débito. Caso não realize o pagamento, o banco pode então solicitar ao cartório a propriedade definitiva do imóvel, que é concedida automaticamente, e em seguida, por meio de uma ação judicial, a instituição retira do comprador o direito à posse do bem.

Efeito bolha 
De acordo com o levantamento da Arisp, a quantidade de imóveis retomados pelos bancos na cidade saltou de 15 unidades em 2006 para 120 unidades em 2007. Esse crescimento foi impulsionado pelo aumento do volume de crédito e de unidades financiadas no país a partir de 2004, que passou a se intensificar a partir de 2006. Nos anos seguintes, o número de unidades retomadas pelos bancos só aumentou até praticamente dobrar de 2011 para 2012, de 190 para 389 unidades.

Em 2013, ano que registrou recorde histórico de imóveis financiados no país, foram retomados 461 imóveis na cidade. No entanto, a partir de 2014, mesmo com a desaceleração das vendas do mercado imobiliário, o volume de imóveis retomados continuou a aumentar, assim como neste ano.

O fraco desempenho da economia, a elevação dos juros e a inflação em alta deixaram o orçamento do brasileiro mais apertado, tornando complexa a tarefa de pagar em dia as parcelas do financiamento. Com o aumento do nível desemprego neste ano, a situação ficou ainda pior.

Banco não é obrigado a negociar 
De acordo com o advogado Marcelo Tapai, especialista em direito imobiliário, o banco não é obrigado a negociar com o cliente o valor do débito. “Geralmente, não há negociação. A lei e o histórico de decisões na Justiça apontam que esse é um direito do banco”.

Por isso, Tapai recomenda que, em vez de esperar por um acordo ou negociação, que provavelmente não irá se concretizar, o comprador busque regularizar sua situação financeira antes de ser notificado. “É mais prudente buscar alternativas, como vender outros bens para quitar o débito.”

Outra possibilidade é vender o imóvel e transferir a dívida. Mas, para fazer essa transferência, o banco terá de aprovar a concessão do crédito para o novo comprador. “Isso pode complicar a venda, que pode não ser concluída até que o consumidor seja notificado”, diz Tapai. Portanto, o ideal é que o comprador busque soluções assim que perceber a existência do risco de não conseguir pagar a dívida, explica o advogado.

Restituição integral dos valores pagos não é garantida
Além de perder o imóvel, não há garantia de que haja restituição integral do valor já pago pelo comprador ao banco. Isso porque, ao retomar o imóvel, o banco deve, obrigatoriamente, realizar dois leilões. Se não conseguir vender o imóvel no primeiro leilão, no segundo o banco pode, em tese, vende-lo por um valor mais baixo, suficiente para quitar a dívida do comprador, diz Tapai.

Ou seja, o imóvel pode ser leiloado por um preço bem abaixo de seu valor de mercado. “Essa estratégia é interessante para o banco, que consegue vender o imóvel mais rápido. No entanto, o comprador tem prejuízo, pois pode receber um valor inferior à quantia já paga ao longo do financiamento”, diz o advogado.

Ele cita como exemplo um comprador que já pagou 100 mil reais de um financiamento de 200 mil reais. Caso o imóvel seja leiloado por 130 mil reais, o banco ficará com os 100 mil reais necessários para quitar o saldo devedor do financiamento, enquanto o comprador receberá apenas os 30 mil reais adicionais.

Apesar de ser possível entrar com uma ação judicial para questionar o valor pelo qual o imóvel foi leiloado, caso o preço de venda fique abaixo do valor de mercado da unidade, não há garantia de que o comprador ganhe a causa, diz Tapai. “Não há um histórico claramente favorável ao comprador nesse caso”. 

(Exame.com - Seu Dinheiro - Notícias - 13/08/2015)

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Portal IG: Valor do aluguel registra queda em 17 bairros do Rio


“Tudo tem um limite. Estamos vivendo, além do ajuste do mercado, ajuste [para baixo] nos valores dos imóveis”

O aumento na oferta de imóveis no Rio resultou na diminuição nos valores dos aluguéis nos primeiros seis meses deste ano na cidade. Pesquisa feita pelo Secovi-Rio constatou que dos 18 bairros analisados, 17 tiveram queda em relação ao mesmo período do ano passado. A maior queda foi apurada no Centro (-11,9%), o que pode ser explicado pelo crescimento de 83% na oferta de unidades na região. Humaitá (-10,5%), Ipanema (-7,2%) e Lagoa (-7,2%) também ficaram no grupo dos que tiveram as maiores quedas nos aluguéis.

O levantamento foi feito em Campo Grande, Méier, Taquara, Freguesia, Copacabana, Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jardim Botânico, Barra da Tijuca, Gávea, Botafogo, Leblon, Cachambi, São Cristóvão, Lagoa, Ipanema, Humaitá e Centro.

Para a vice-presidente financeira do Secovi-Rio, Maria Teresa Mendonça, os investimentos em segurança pública foram muito importantes para a valorização e o crescimento do mercado imobiliário da cidade. Mas ela faz um alerta:

“Tudo tem um limite. Estamos vivendo, além do ajuste do mercado, ajuste [para baixo] nos valores dos imóveis”. Ela diz ainda que este é o momento bom para se negociar, tanto para vender quanto para alugar: “É a hora da oportunidade”.

(Portal IG - O Dia - Notícia - Imóveis - 12/08/2015)

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Valor: Sinduscon-SP prevê queda maior para PIB da construção deste ano

Se houver uma “deterioração muito rápida” do cenário, o Sinduscon­-SP pode rever, outra vez, o que espera para o ano, segundo Ferraz Neto. 

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil deste ano foi, novamente, revisada para baixo. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon­-SP), que estimava queda de 5,5% no PIB do setor, projeta agora retração de 7%. Os dados do setor abrangem os segmentos de edificações — residenciais e não residenciais —, infraestrutura, serviços especializados em construção — obras de acabamento, instalações e preparação de terrenos — e demanda das famílias. 

A estimativa para o setor leva em conta a projeção do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de queda de 2% para o PIB do Brasil em 2015. 

Se houver uma “deterioração muito rápida” do cenário, o Sinduscon­-SP pode rever, outra vez, o que espera para o ano, segundo Ferraz Neto. Entre as mudanças que afetariam, negativamente, a projeção da entidade estão eventual alteração na remuneração do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a terceira fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida não ser anunciada ainda neste ano. 

Conforme a coordenadora de projetos do setor da construção da FGV, Ana Maria Castelo, a piora da projeção setorial se deve, principalmente, aos investimentos públicos e privados adiados, neste ano, “ou mesmo cancelados”. “Investimentos privados das empresas foram postergados, e houve redução das obras dos governos federal, estaduais e municipais”, diz Ana. 

No mercado imobiliário, acrescenta a representante da FGV, a crise maior do que a inicialmente esperada faz com que o começo de um novo ciclo seja adiado e que lançamentos e vendas continuem a ter retração. “O consumo das famílias também registra queda. A renda real está caindo, e as restrições de crédito afetam a compra de materiais de construção”, diz Ana. O PIB do setor de construção não inclui a produção física de materiais, mas o desempenho da indústria e do varejo apontam menos gastos das famílias com reforma e autoconstrução. Nesta semana, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) divulgou que as vendas dos fabricantes de materiais caíram 9,1% até julho. 

Dados da pesquisa de emprego com carteira assinada realizada pelo Sinduscon­SP em parceria com a FGV, a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), demonstram que, no primeiro semestre, o número de pessoas empregadas no setor teve queda de 10,8% em relação a dezembro, com o corte de 157,2 mil empregos. 

A maior redução foi no segmento de infraestrutura (13,18%), seguida pelo de edificações (10,17%). No segmento de obras de acabamento, a redução foi menor, de 1,94%, devido ao elevado volume de entregas de empreendimentos. 

O Sinduscon­-SP estima que a indústria da construção encerrará 2015 com redução de 480 mil empregos ante dezembro de 2014, o que representa queda de 14,3%. Se a estimativa se confirmar, haverá perda de 750 mil empregos no biênio 2014/2015. 

(Valor Online - Brasil - 05/08/2015)

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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Jornal Hoje: Crise e baixo retorno adiam compra de imóvel

Restrição de crédito e juros altos, aliados à queda na renda e no emprego: É a crise, que afasta compradores num momento em que a oferta de imóveis é grande. Nesse cenário, consumidores adiam a compra e aguardam uma queda maior nos preços. Segundo o economista FipeZap, ao deixar o dinheiro "parado" em um imóvel, o consumidor deixa de ganhar 14% de rendimento em um ano de aplicação.



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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Estadão: Crise imobiliária deixa condomínios vazios, gerando mais distratos

Contribuição do leitor Eduardo Mazzini

A poucos metros da faixa de “últimas unidades à venda”, o analista de sistemas, de 34 anos, conta que apenas 20 famílias habitam os cerca de 300 apartamentos do condomínio, entregue em janeiro [...] Corretores da região reconhecem: é o momento mais difícil em pelo menos oito anos. Trabalhando para diferentes incorporadoras simultaneamente, eles já se dão por satisfeitos se conseguem vender um único apartamento por mês. Quando muito

Síndico há seis meses, Lucas Nascimento nunca passou por um único episódio de briga entre moradores, disputa por vagas de garagem ou som alto na madrugada. Seu maior problema é a falta de vizinhos. A poucos metros da faixa de “últimas unidades à venda”, o analista de sistemas, de 34 anos, conta que apenas 20 famílias habitam os cerca de 300 apartamentos do condomínio, entregue em janeiro. Entre imóveis vazios e devolvidos, falta dinheiro para fechar as contas. 

A cena é um retrato do mercado imobiliário de São Paulo: as vendas de imóveis novos caíram 11,4% na capital nos cinco primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi­-SP). Como se não bastasse, disparou o número de imóveis vendidos em anos anteriores que agora estão sendo devolvidos antes mesmo da entrega das chaves. São os chamados distratos. A Associação Brasileira de Mutuários Habitacionais (ABMH) registra uma alta de 30% nas reclamações envolvendo esses casos no primeiro semestre de 2015. 

Enquanto caminha pela área de lazer deserta – com piscina, quadra poliesportiva, salão de festas e forno de pizza –, Nascimento diz que a construtora costuma acumular alguns meses antes de pagar as taxas de condomínio das unidades vagas. Isso dificulta arcar com os custos de manutenção e segurança. A empresa rebate e diz que as contas estão em dia. 

Corretores reconhecem momento difícil
O vazio nos corredores não é exclusivo do condomínio localizado no bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. Corretores da região reconhecem: é o momento mais difícil em pelo menos oito anos. Trabalhando para diferentes incorporadoras simultaneamente, eles já se dão por satisfeitos se conseguem vender um único apartamento por mês. Quando muito. 

Em um único condomínio foram 17 distratos em uma semana
A visão dos prédios evidencia o problema. À medida que o dia escurece, poucas luzes se acendem nas quatro torres que compõem o empreendimento de classe média, com unidades na faixa de R$ 400 mil. “Somente nesta semana foram liberados 17 distratos para revenda”, revela um dos corretores. É provável que uma das unidades já tenha sido do consultor de TI Wagner Augusto Júnior, que desistiu da compra da casa própria em janeiro. 

Ele se sentiu pego no contrapé. Com os negócios fraquejando e maior incerteza em relação à própria renda, o profissional autônomo decidiu, a contragosto, devolver o apartamento à incorporadora. Após três anos pagando a entrada de 20% em parcelas mensais, ele voltou ao aluguel. Pretendia vender um carro para liquidar a entrada antes de financiar o restante pela Caixa. Mas o endurecimento na aprovação de crédito pelo banco público, principal fonte de recursos de pessoas físicas para a aquisição de imóveis, foi a pá de cal no sonho do consultor. Um sonho de 70 metros quadrados e três dormitórios. 

A festa acabou
Após uma década de inédita e vertiginosa expansão do crédito imobiliário no Brasil, 2015 começou com os sinais trocados. Um encolhimento nos recursos disponíveis para essa modalidade de financiamento, sobretudo por causa do volume robusto de saques na caderneta de poupança, deixou os bancos mais seletivos na concessão do empréstimo, sem contar a elevação dos juros. 

Enquanto isso, Augusto Júnior refaz seus planos. “É melhor não sonhar antes que o mercado se estabilize.” Até que o imóvel novo se torne realidade, ele deixa o dinheiro em uma aplicação e pensa em sair da cidade e construir uma casa em um terreno que possui em Vargem Grande Paulista. “Meus planos hoje são gastar o mínimo e esperar o momento certo.” 

(Estadão - Notícias - Geral - 08/08/2015)

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